Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Eduardo ‘’Mano Brown’’ Suplicy

Senador e pai do Supla. O cara reúne duas características das piores desse mundo. (brincadeira fãs do Supla! Mas que ele é horrível ele é)

Já com o meu ceticismo quanto a palestras de políticos, principalmente do Suplicy, que eu já tinha visto anteriormente (na ocasião em que ele foi à Fundação Santo André falar sobre o antigo reitor Odair Bermelho) fui à palestra do figura.
O tema era o de sempre do Suplicy, a renda mínima de cidadania. Aquele que quando ele invariavelmente começa a falar nas entrevistas, o repórter Vesgo dorme, e os repórteres do CQC avançam a entrevista como se avança os comerciais duma fita gravada.
Ele chegou um pouco atrasado devido ao trânsito, mas chegou, em meio a um mini-protesto do pessoal do PSTU e a mais nova organização estudantil deles, ANEL. Protesto de um lado, puxa-saquismo de outro. Takeopariu, teve gente que deu risada até do Oi que o Suplicy deu. Riu até de quando ele abriu o copo de água!
Mas enfim, eis que começa, com a típica postura pós-governista petista, de estar em cima do muro, e de dizer que ‘’tem que apurar’’. Porra, contratar parentes foi a coisa mais leve que o Sarney fez na vida! Ele merecia perecer dolorosamente só pelo que a máfia (família) dele fez ao Maranhão em tanto tempo. Tudo bem, o assunto da palestra não era esse, e eu não to afim de falar disso.
Cantando Homem na Estrada, inteirinha, do Racionais Mcs (parte sensacional da palestra) e dando exemplos de como uma renda a mais em uma família pode mudar a história dela, o Senador justificou e explicou a bolsa-família, depois explicou como é a renda mínima, como ela surgiria do próprio bolsa-família, mas seria algo muito mais amplo e irrestrito.
Segundo ele mesmo, é um programa que parte do seguinte pressuposto:
A Constituição brasileira protege a propriedade privada. Além disso, dá direito aos detentores da propriedade privada aos lucros, juros e rendas provenientes dela. A instituição da propriedade privada exclui os que não a obtém dos ganhos dela. A renda mínima de cidadania seria, então, o direito da participação de todo o povo brasileiro pelo uso das riquezas da propriedade privada, que, antes de tornada privada, seria de todos.
É uma boa idéia, e, segundo ele, poderia ser até algo que tornasse justo (e ele ressaltou, ‘’se é que algo o torna justo’’) o capitalismo. Porém, eu tenho cá comigo minhas ressalvas e dúvidas.
É um programa que funciona e atua dentro de todas as normas do capitalismo, e não rompe com nenhuma delas, portanto, é como uma resignação a ele. Dessa forma, o Suplicy parece admitir que não tem mais jeito, vamos viver nessa merda de esquema de acúmulo de capital, propriedade privada e de servidão ao Deus-mercado (Lúcifer-mercado, eu diria) a nossa inteira existência. Com a renda mínima, faz-se então tentativa de torná-lo um pouco melhor, ou melhor, menos pior. Continua a proteger a propriedade privada e o acúmulo de capital, sendo, em casos, apenas uma filantropia burguesa, uma criança esperança dos grandes proprietários. É como alguém me disse uma vez: ‘’o que seria da consciência burguesa se não fosse a filantropia?’’.
Além disso, eu me pergunto de onde viria o dinheiro, e como ele seria conseguido. O governo do próprio partido do Suplicy alega que pagar a previdência é difícil, inclusive reformando-a e aumentando o tempo de contribuição/idade dos trabalhadores para que eles possam ter o direito de recebê-la. Se não conseguem (não têm prioridade) em pagar aposentadoria, vão pagar renda mínima de cidadania? Dito isso, logo vem na minha cabeça, que se o programa destina-se a compartilhar os lucros da propriedade privada com os que não a obtém, o lógico seria então que os recursos da renda mínima cidadã fosse provenientes de impostos dos detentores da propriedade privada (inclua nisso não só terras, mas fábricas, extração de riquezas naturais, etc). Olha, tá aí uma coisa que eu pagaria pra ver. O governo tentando taxar esses poderosos! Já até imagino o Eixo do Mal (federação dos bancos, das indústrias, VEJA, William Bonner, militares, etc) promovendo ataques atrás de ataques contra isso. Além de que, uma reforma tributária necessária à tributação dos poderosos, viria da câmara dos deputados e do senado. O que são essas duas instituições senão as mesas de negociações dos próprios detentores da propriedade privada, portanto, burguesia? Afinal, essa é a essência da democracia burguesa. Como partiria daí, uma proposta para que eles taxassem à eles mesmos e perdessem suas margens de lucros exorbitantes?
Outro ponto dito pelo Senador e que eu tenho ressalva é o de que TODOS receberiam a renda mínima. O Ronaldo, a Xuxa, o Pelé, o próprio Suplicy, o presidente Lula... todas as pessoas, proprietários ou não, receberiam a participação pelas riquezas privadas no Brasil. Mas, se os proprietários já recebem os lucros, e irão receber também a renda mínima, isso significa que eles tem direito duas vezes?
Por fim, acho a idéia de que todo o povo brasileiro tem direito a participação dos lucros dos fatores de produção em seu país é uma idéia muito justa. Porém feito corretamente: taxando-se os grandes, e não os preços finais, o que faz com que os pobres utilizem mais de sua renda para consumir os produtos básicos; além de distribuindo esses recursos de maneira justa para os que necessitam deles, ou seja, o que fazem REALMENTE os meios privados terem lucro, os trabalhadores, para cada um de acordo com as suas necessidades.
Minha última ressalva é a de que não pode parar por aí. A única maneira de tornar o capitalismo mais justo é acabando com ele. Portanto, sim, buscar a implantação da Renda Mínima de Cidadania, mas nunca parar a luta!
Suplicy terminou a sua palestra cantando Blowin in the Wind, do Bob Dylan, dizendo que a resposta vem soprada com o vento, e está aí. Eu concordo com ele. Mas acho que o vento para vir com força suficiente para realmente abalar as estruturas e mudar o mundo, vem soprado mais à esquerda.

Guilherme.

Vídeo: Suplicy cantando Bob Dylan, gravado pelo Paulo, já que meu celular deu a doida na hora.
Tem ainda o vídeo dele cantando Racionais, mas ainda não conseguí upar, assim que for upado, atualizarei aqui com link

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Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Resumo sobre o significado da liberdade no mundo do trabalho alienado


''NOBOOOOODY WANNA SEE US TOGETHER, BUT IT DON'T MATTEEEER, NO...''
Opa, meu celular com mp3, câmera cybershot, canivete, GPS E liquidificador tá despertando, é hora de ir pro que me garantiu a compra dessa maravilha. Deixa eu vestir meu belo uniforme e arrumar meu cabelinho! Tenho que fazer meio correndo, porque não posso perder o trem. (nessa altura do campeonato, você já deve ter percebido que eu vou de trem, pela música que é despertador do meu celular, sou daqueles que vai ouvindo esses hits SEM FONE no trem).
São oito horas por dia, 5 dias na semana, às vezes 6.
Eu acho meio chato. Se bem que prefiro isso à ficar em casa. A única coisa que tem pra se fazer em casa, eu consigo fazer depois do trabalho, que termina bem na hora que passa novelas na televisão, olha que sorte!
Produzir qualquer tipo de conhecimento produtivo que não diga respeito à um aprimoramento na minha vida profissional no tempo livre? que bobeira! fiz ADM, o espetáculo da educação profissionalizante, com a única função de entrar no mercado de trabalho! Aprendi direitinho a única coisa que eu acho valer nessa vida: apertar direitinho o botão que eu tenho que apertar no trabalho. Sem esquecer das dicas do Jornal Nacional para garantir um bom emprego no mercado de trabalho: estar sempre me atualizando hein! Isso significa que o único conhecimento útil pra mim além de aprender a apertar o botão certo no trabalho, é ir me adaptando conforme o botão se adapta. Aprender a apertá-lo de acordo com as suas atualizações. Tudo isso para o chefe (aquele desgraçado) ficar feliz, e, quem sabe um dia, EU possa me tornar o desgraçado da história.
O bom é que sobra o domingo e (às vezes) o sábado, para eu poder usufruir do meu salário, ticket refeição e vale-transporte e fazer o resto das coisas que eu gosto! (nesses dias não passa novela)
Eu acho tão bom essa coisa, esse negócio de liberdade! No fim de semana, depois de ocupar toda a minha semana trabalhando, eu posso ir aonde eu quero, fazer o que eu quiser! dar uma voltinha de moto numa trilha, andar de caiaque num lago, o contato com a natureza, esse é meu conceito de liberdade! olhar toda a paisagem ao redor, nessa hora me sinto livre! Muito bom essa coisa de liberdade mesmo viu! Adoro esse meu conceito de ser livre! Não sei como é que os escravos nos tempos antigos conseguiam viver.. ter que trabalhar só por roupa e comida (meu salário dá pra comprar até um celular além disso tá? MUITO diferente), e a única coisa que eles podiam fazer nos tempos de folga, tipo nos fins de semana da época deles, era jogar uma capoeira e tal! Como é que viviam?!
Mas enfim, já vou indo, pegar meu Jipe que eu comprei em 21873482349 suaves prestações de 1 real, e fazer uma trilha por aí, no meio da natureza, aonde eu me acho livre! Só tomara que a minha empresa e as outras não acabem logo com esse tequinho de natureza... o que eles usarão de álibi pra falar que eu sou livre? A Liberdade de consumo apenas? Putz, meu leque está diminuindo... Bom, to saindo, afinal não posso demorar muito e chegar tarde, porque amanhã é segunda, e daqui há pouquinho o Akon já vai me despertar no meu celular!

-guilherme

foto: Um muro em Berlim. De Marcel Vincenti/UOL

ps: Não tenho preconceito contra quem ouve música no celular no trem, eu só não consigo perder a piada ;D

Domingo, Novembro 16, 2008

Demitido!


Houve uma mistura de felicidade e preocupação, quando recebi o aviso da minha demissão. A felicidade foi instintiva, eu não gosto de trabalhar. Sou um vagabundo. E tenho certeza que a maioria dos trabalhadores pertencentes à majoritária parte dos que fazem o que não escolheram como carreira, goste. Fazem-no por absoluta necessidade.
Bom, depois de disfarçar o sorriso diante da notícia, fingi uma cara de preocupado, não tão fingida assim, por que ia me lembrando das malditas contas, do aluguel, do meu carro parcelado em 36 vezes. A felicidade foi dando lugar ao desespero, e minha expressão de preocupação, foi se tornando sincera.

Despesa do mês, água, luz, gás, telefone, aluguel, carro. Tudo ia se misturando na minha cabeça, formando uma orquestra de vozes da minha consciência cantando a mais moderna das peças dodecafônicas, o coral do medo.
Vendedor, engraxate, faxineiro, consultor... Isso, vou fazer consultoria! Do que? Sei lá, de qualquer coisa, todo mundo faz consultoria de alguma coisa hoje em dia. De cortes de cabelo quem sabe, de moda... Não, não.

Um verbo no pretérito perfeito da terceira pessoa, invade a minha mente. E só ele pisca lá dentro, como um único letreiro espalhafatoso numa rua deserta e escura. Fodeu!
Passado o choque da notícia e depois de desistir de pensar no que fazer a partir de agora, tomo meu humilde rumo de volta pra casa, em minha bicicleta de cestinha, pois o carro não saía da garagem desde a última alta no preço da gasolina. No caminho, ao apreciar a paisagem de arrozais e mais arrozais, continuei sem idéia nenhuma.
Cheguei no meu apartamento, um apartamento de merda, pequeno, velho, que insistem em dizer que possui dois cômodos, o segundo eu nunca achei. Sentei no computador, li os e-mails, acendi um cigarro, vi alguns videos dos mais engraçados do youtube, pra ver se esquecia do problema que ganhara algumas horas antes. E sem querer eu vejo uma notícia sobre a tal da crise que o planeta está passando. Mas o que o meu emprego tem a ver com os americanos que não pagaram as casas deles!? Eu aqui, morando de aluguel, sem querer dar passo maior que as pernas. Essa maldita ambição americana, me fez agora um homem desempregado.
A revolta contra os americanos ia fervendo na minha cabeça, Bush fascista, americanos idiotas, compra uma casa que não pode pagar? voltei ao tempo em que era um adolescente comunista, odiador de americanos.
Dei dois passos a esquerda, sentei no sofá e assisti meu DVD do LOST.

Domingo, Outubro 05, 2008

Sobre o voto

Aaaaaah, coisa linda! Chegou o dia da ''festa da democracia!''. Festa essa temática, aliás. Tipo aquelas festas de criança que vai um palhaço animar? É meio isso, sendo que há muitos palhaços (eu e você) e nessa tal festa democrática, os palhaços são dignos de riso, ao contrário dos sem graça das festinhas que não deixam a molecada ir comer uma coxinha logo. Eu acho engraçadíssimo tudo isso, esse resumo da cidadania num só dia, essa redução da participação popular na decisão de seu futuro uma vez a cada dois anos. Mas não é isso que torna tudo isso engraçado. O que faz tudo ficar engraçado é como algumas pessoas (a imensa maioria, na verdade) engolem esse papinho de ''festa da democracia'', de ''podemos decidir se a vida vai ser boa ou ruim através do voto'', e defendem cegamente e até com alguns argumentinhos a questão de votar, conhecer propostas, cobrar seu candidato, todos esses clichês do Willian Bonner que se pode imaginar. Foi isso que me deu impulso para escrever esse texto, o monte de gente me criticando por eu dizer que iria votar nulo, falando que depois se nada melhorar eu não tenho direito de reclamar e blablabla.


Bom, primeiro que eu não gosto dessa idéia de sintetizar toda a participação do povo no seu rumo definida em apenas um dia a cada dois anos; prefiro fazer a minha participação no dia a dia. Esse argumento de que ''o seu voto faz a diferença'' não funciona, e não é que eu ache que ''aaaah, é só um voto, o MEU, ainda tem mais milhões!''. Eu acho que o buraco é mais embaixo. Meu voto e minha campanha podem sim fazer a diferença no VENCEDOR da eleição, mas isso não quer dizer que isso vá consistentemente MUDAR alguma coisa. Levando em conta a democracia burguesa que temos, não importa se é o A ou o Bê que vai ganhar, o resultado sempre vai ser Cu. Isso porque, no contexto democrático burguês, sempre serão os mesmos interesses os contemplados, ou seja, os da burguesia, já que é essa a finalidade deste sistema.


Portanto, não adianta ficar pedindo para os ''representantes do povo'' diminuírem a sua carga horária ou aumentarem seu salário, ou fazerem coisas que atendem a população num geral, porque eles representam o interesse exatamente contrário de tudo isso, o do patrão, que quer diminuir seu salário, fazer você trabalhar mais, e que você more numa favela, bem longe dele, de preferência. Isso mata dois numa só, já que também derruba aquele chavão clássico do ''Se você não votar, vai deixar ganhar quem não merece'', já que, como eu deixei claro, acho que NINGUÉM merece ganhar, já que todos representam a mesma coisa.


Outro argumento que eu adoro ouvir em defesa do voto é aquele do: ''Os combatentes contra a ditadura morreram pra você ter esse direito, e você fica aí jogando fora?''. Essa idéia BEM Globo Filmes, expressas naqueles filmes que têm os atores gatinhos, que tentam dizer que toda a luta revolucionária e de resistência contra a ditadura era para instaurar essa democracia representativa burguesa ridícula. Parece que ''se esquecem'' de citar toda a ideologia comunista, anarquista, socialista, enfim, libertária num geral, dessas pessoas que morreram, que é uma ideologia totalmente contrária à essa democracia que agora associam às lutas destas pessoas. Acredite, toda vez que alguém fala esse argumento das pessoas que morreram na ditadura lutarem pelo o que temos hoje, essas mesmas devem pular no caixão. Ou só os pedaços delas pulam, estilo mãozinha da família Adams (desculpe a piadinha, mas esse tema do voto merece ser tratado como piada), já que muitas foram brutalmente torturadas antes de morrer. E não foi só para você votar uma vez a cada dois anos em algum figurão e definir sua participação política assim que elas se sujeitaram à isso.


Por falar em Globo Filmes, a mídia (não preciso falar ''mídia burguesa'' que aí é pleonasmo), é o principal ponto de difusão desses argumentos. Eles que de vez em quando escolhem alguma pessoa para malhar, e cobrem algum caso de corrupção intensamente, passam a impressão de que não é o sistema que é falho e proporciona essas coisas, mas sim que são só algumas pessoas que fazem isso. Passam a impressão de que, se as pessoas corretas fossem escolhidas para governar, não aconteceriam tais atos. Sim, eles têm a coragem de colocar a culpa em mim e em você! Não é culpa da democracia burguesa, sou eu que não sei votar! É ou não é para rachar o bico?


Bom, em síntese, era só isso que eu tinha para postar para as pessoas que me acham alienado por não votar. Tá BEM resumido. Mas você gosta de resumir sua vida política em um dia a cada dois anos, tá reclamando do que?


Deixa eu ir, que já é 16h30 e eu tenho que ir apertar 00 e confirma na urna.

Aquele abraço!

guilherme.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Isabela Nardoni: O tipo de caso que a mídia burguesa pede à Deus.

Provavelmente, depois de ler esse título, a maioria pensará: ‘’NOSSA, ATÉ AQUI? O caso passa até em programa de culinária, mas, no HAROLDÃO?’’ calma calma foguentinhos, que eu vou fazer uma abordagem de outra perspectiva, ok?

Bom, o que não é novidade para ninguém, é que esse caso está sendo tratado à exaustão por toda a mídia; escrita, falada, televisionada, a de linguagem de sinais E em braile. Esse, e, de tempos em tempos, mais alguns outros casos. O que eu queria expor aqui, é o porque de serem escolhidos alguns casos em detrimento de outros, e mais, os interesses atrás de tais escolhas.

Alguns dizem que esses casos são escolhidos por terem acontecido com pessoas de classe média/alta, e que, se fossem pobres, não passariam na TV. Eu já diria que o buraco é BEM mais embaixo. Os grandes meios de comunicação em massa, apesar de serem claramente classistas, não tomam partido de algo simplesmente por ter acontecido com membros da sua classe social. O que acontece é que, esses casos escolhidos, geralmente, não implicam numa análise ou reflexão de problemas sociais que impliquem na revisão, por parte da sociedade, da posição burguesa que incluí os barões da própria mídia. Assim, casos como o massacre de Eldorado dos Carajás, onde 19 pessoas sem terra foram assassinadas, o massacre de Vigário Geral, onde 21 pessoas sem antecedentes criminais foram assassinadas, entre tantos outros, não tem um mínimo de enfoque e de debate, já que isso implicaria em discussões sobre reforma agrária (no caso dos sem terra) e exclusão social e preconceito com pessoas de baixa renda (no caso de vigário geral) o que, do ponto de vista burguês, seria desastroso. Então, numa total demonstração de que todos os órgãos da grande mídia estão associados entre si e são interligados em seus interesses, TODOS começam a falar sobre algum caso ''que chocou o Brasil '' em particular. O que eu citei para escrever esse artigo, da menina Isabela por exemplo, é um caso em que o que aconteceu foi pura e simplesmente uma madrasta e um pai filhos da puta mataram a coitada da menina. Não estou diminuindo a proporção do fato, notem. O que eu quero dizer é que a mídia fez muito alarde sobre isso, em comparação com outros crimes brutalmente iguais ou até maiores em proporções de violência. Assim como foi com a Suzane Von Rhsfhsiuds (não sei escrever isso). O que aconteceu foi que a filha da puta matou os pais; denovo, caso martelado por todos os meios de massa, porém sem causar nenhuma reflexão social. E ainda pegando gancho nesses casos, a mídia aproveita para se fazer parecer perante à sociedade uma defensora da justiça e da não-impunidade, cobrando a punição dos criminosos (que devem SIM perecer na cadeia, não estou dizendo que não) e outras coisas como diminuição da maioridade penal, polícia nas ruas e etc. Fazendo assim a cada caso escolhido por ela à dedo, ressurgirem seus exemplos de ''busca por justiça''

Agora, quanto aos sem terra assassinados? Quanto à concentração brutal de renda? As execuções de inocentes nas favelas? As diferenças jurídicas, políticas, econômicas e sociais entre as pessoas? Parecem ser irrelevantes perto do assunto sobre o que o Nardoni toma de café da manhã na cadeia, como foi o traslado dele para a prisão, a marca do chinelo dele no colchão ou outras questões que ''chocam o Brasil ''.

guilherme.

Domingo, Fevereiro 17, 2008

Eurotrip.


Bom, a idéia inicial era escrever de lá todo dia, tipo ''querido diário'' do Doug Funny, mas não deu certo, então vou fazer um resumão da viagem. Como lá pela primeira série a professora me disse que eu não precisava decorar datas, eu não vou colocá-las aqui, só as que eu lembre com certeza.

Dia 25 de Janeiro, sexta-feira, vamos ao aeroporto de Guarulhos (parecia caravana de Ribeirão Pires po pograma da Gimenez, acho que nunca tantas pessoas de Ribeirão foram pro aeroporto ao mesmo tempo, hahahahaha). No caminho, aquele contraste típico brasileiro (será?): estrada-carrões-favela. No aeroporto, feito tudo o que tinha que fazer (não vi caos aéreo) fomos ao portão de embarque internacional; que, analisando bem, é igualzinho à estação do Brás, com a diferença que no Brás tem TVs de Plasma pra assistir enquanto espera o trem.

Quando deu a hora, fomos pegar um busão até o avião. Chego na porta pronto pra lançar um ‘’Boa Noite’’, quando a mulher me lança um ''Buenas Noches''. Compania espanhola, tripulação espanhola, não tinha pensado nisso. Se eu tivesse um filho no avião, ele seria espanhol, ó que legal.

O avião decolou, aquela alegria toda e tal, deu uma turbulenciazinha, nada demais, mas também dispensei a EuroDisney, já tive emoção suficiente. A classe era econômica, a cadeira deitava menos que a do ônibus que eu fui pra Pousada do Rio Quente. Mas lasque-se! Eu estava indo pra Europa, vou reclamar do que ?!

Chegamos no aeroporto Barajas, em Madrid, para fazer conexão, e foi o primeiro lugar nessa viagem que eu pensei ser o maior lugar que eu já fui. Precisava de metrô pra andar lá dentro! Fazia um tempinho agradável de zero grau. Depois de agüentar a enrolação, fomos lá pro avião. Várias jovenzinhas descoladas indo pra Amsterdam; umas espanholas, outras que eu não consegui identificar. Umas duas horas de vôo, começa a dar pra ver lá embaixo aqueles pirocópteros gigantes que geram energia eólica, que infelizmente eu esqueci o nome, além de dar a impressão de ter muita indústria, porque sai fumaça de tudo quanto é lado.

No aeroporto Schipol em Amsterdam, já o primeiro bar tem a fachada toda verde, o que eu achei bem sugestivo naquela terra. Fomos comprar o bilhete do trem, que não precisa passar em catraca nenhuma, compra quem quer. Diz a lenda que podem passar fiscais no trem pedindo o bilhete, mas não vi. Muitos já devem ter pensado ''aaaaaah se fosse no Brasil, ninguém ia comprar''. Na boa mesmo ? transporte PÚBLICO tem que ser de graça! Daqui a pouco vão querer cobrar da saúde e educação públicas, e nego ainda vai criticar quem tenta não pagar...

O trem é meio grafitado, com os vidros meio riscados, tipo aqui, com a diferença do trem daqui ter 15 pessoas por metro quadrado, e lá o espaço sobra.

Deixadas todas as coisas no hotel, fomos andar por Amsterdam. O que descreve essa cidade é uma única palavra: FODA! Eu não costumo usar palavrões aqui, mas dessa vez é a única palavra, e essa cidade tem que ser descrita com alguma coisa indecente mesmo. Amsterdam é foda, e pra caralho ainda. Os famosos coffeeshops onde a maconha é liberada, que quando abre a porta daquilo parece uma sauna, os sex-shops, sem escrúpulo hipócrita nenhum, com os cartazes bizarros sendo mostrados na rua, os ''Trams'' uns trenzinhos meio loucos que passam do nada no meio da rua, fazendo pessoas distraídas como eu correrem risco de vida várias vezes, os canais, que têm até Cisnes, as Européias de tudo quanto é lado, o Red-Light District, onde as prostitutas, tanto umas lindíssimas como umas parecendo uns butijõezinhos da Liquigás, ficam ''a mostra'' na vitrine, e os holandeses (ou imigrantes) muito simpáticos. Como a Pitty muito bem disse, a cidade é completamente Dadaísta. O sistema implantado de luta contra as drogas em Amsterdam é totalmente diferente do estadounidense, importado pelo Rio de Janeiro, Colômbia, México e etc, que usa o pretexto de luta contra as drogas para o massacre dos excluídos pelo capitalismo, seja nas favelas cariocas, nas selvas colombianas, ou nas áreas indígenas mexicanas. Em Amsterdam, as drogas leves são liberadas, porém as pesadas são fortemente desencorajadas. Numa noite na televisão do hotel passou um documentário sobre usuários de heroína que acabou com todas as chances que eu já não tinha de usar heroína alguma vez na vida.

Acabaram-se os dias em Amsterdam, vamos a Paris de trem. Paris também, agora avacalhando totalmente com o vocabulário bonitinho do blog, é foda. Não tão indecentemente foda como Amsterdam, mas é foda. Louvre, (o segundo lugar dessa viagem que eu pensei ser o maior lugar que eu já entrei) Torre Eiffel, Notredame, restaurantezinhos undergrounds, artistas de rua, rio Senna e etc. Porém, a globalização capitalista é mais sentida lá do que na holanda; Mcdonald’s, Starbucks Coffee, e KFC’s em cada avenida, além das lojas das marcas de filo da puta na Champs Elysées. Mas isso não incomoda; vai nesses lugares que se pode ir em qualquer lugar do mundo quem quer; dá muito bem para fazer outras coisas lá. E sabe aquele papo de ''ah, na França, se você coloca o pé na rua, os carros já param para você passar'' ? mentira! Nesse quesito, é capaz de ser pior que aqui, já que lá os carros passam mesmo com o sinal aberto para pedestre. Não sei se podem por lei ou não, mas fazem direto.

Aqui, como na Holanda, há muito imigrantes, quem vai pensando que só tem comida chique se engana muito, porque tem um churrasco grego em cada esquina. Há também muitos negros das ex-colônias vendendo souvenirs da Torre Eiffel sob a própria, e os que trabalham nos hotéis, e falam todas as línguas possíveis!

Por fim, pode-se dizer que o primeiro mundo é um outro mundo sim. Mas no sentido da arquitetura do velho continente, dos monumentos, as línguas e (um pouco) a cultura. Já no sentido social, utilizam o mesmo sistema que nós, a lógica do lucro, do acúmulo de quem pode acumular. Em Amsterdam se vê várias pixações contra o capitalismo, em Paris, são as matérias dos jornais, que, pelo que eu pude entender, não elogiam muito esse sistema. No trem da Holanda para a França passaram umas ''casinhas'' que, se não era uma favela, era um lugar BEM humilde. Na França, há vários pedintes na rua, com a diferença que lá tomam vinho francês, os daqui, cachaça. Ambos seriam chiques olhando um para o outro, já que lá a cachaça é cara e o vinho é barato, aqui é o contrário. Enfim, é aquela mesma história; pessoas sem nada pedindo aos outros, enquanto logo ao seu lado passam carros de luxo e estão prédios de corporações; guardadas as devidas proporções, o mesmo problema enfrentado por nós: distribuição de renda. Não importa o quão grande seja o PIB, o aumento da produtividade das empresas ou o recorde do lucro dos bancos. No capitalismo, seja no primeiro ou no terceiro mundo, é assim. Ou alguém ainda acredita nesse papo de distribuição de renda no acúmulo de capital ?

Fotos:
Pixação contra o capitalismo, Amsterdam
Muro Amsterdam
Trem, Paris
Torre Eiffel

guilherme.

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

Penso?

O homem tem deixado de praticar aquilo que tanto enche a boca pra falar; "Sou diferente dos outros animais, porque eu penso!". Cada dia mais ele vem se distanciando dos ditos "pensantes" e se nivelando a aquele que ele menospreza e se diz tão superior.
Pobre dos macacos, cachorros, porcos e ratos. Imaginem, serem considerados inferiores por seres tão repugnantes quanto nós.

A cultura, que também dizemos que nos diferencia dos coitados irracionais, vem se tornando cada vez mais pobre, assim como quem diz ter a criado, e ainda ser o único privilegiado de possuir tal riqueza de alma.

A hipocrisia humana ainda é o que mais repúdio. Evitamos pensar, quando pensamos, não dizemos, se dizemos, não pensamos e muito menos fazemos aquilo que dizemos.
Talvez o homem reconheça o perigo de pensar, perceber o quão ignorante é. Ou ao menos uma vez na vida acender-se da luz da consciência, e se colocar no devido lugar, deixar de lado a prepotência humana de achar que é dono do mundo e que nele tudo pode e tudo faz.

Se quer se diferenciar de um animal, não aja feito um. Esqueçam dessa cadeia alimentar do dinheiro, já pensou nas coisas cruéis que os homens fazem por dinheiro? Cruel com os outros, cruel consigo mesmo...

Passamos a vida inteira na saga do dinheiro, vamos estudar, pra entrar numa boa faculdade, ser um bom profissional trabalhar a vida toda, ganhar muito dinheiro, me aposento com 60 pra aproveitar a minha fortuna, com 65 eu morro. Mas certamente serei enterrado em um caixão bonito e luxuoso, num túmulo bem grande, que as pessoas vão olhar e vão falar, "Morreu tarde esse velho mão de vaca". Há vida melhor que essa?

Depois temos coragem de dizer que somos superiores aos animaizinhos, que agindo por instinto, não negando suas vontades, gozam da vida o quanto podem. Trabalhando somente o necessário, ou você já viu um macaco acumulando bens no Itaú?

Ah! Se a gente pensasse...

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

A Arte de Ser Tosco (propositalmente)


Resolví escrever sobre esse tema porque, além de o blog estar assaz desatualizado e eu ter precisado pensar num tema rápido assim, também estava vendo Chaves esses dias, quando minha mãe (oi mãe =D) e minha madrinha ficaram falando que esse programa é muito tosco, e que eu deveria colocar na novela. Então, matutando sobre esse assunto (êêê férias, olha o que a falta do que fazer não faz) cheguei a conclusão que existem jeitos totalmente diferentes de se exercer a arte/infelicidade (essa é a diferença essencial) de ser tosco.
O Chaves é o exemplo máximo, o ícone da tosqueira positiva. Mesmo quem gosta, não tem como negar que é TOSCO ! Mas é uma tosqueira brilhante ! Feito sem recurso, com cenário simples (e tosco), com atores feios (e toscos), que passa num canal chato (e tosco) e as dancinhas, COMPLETAMENTE toscas (e toscas), eu duvido que a intenção fosse fazer algo diferente, algo considerado ''orra, muito loko'' pelos malandrinhos-comuns. Quero dizer que acho que essa é a intenção entendem? Ser tosco mesmo no final das contas. Isso que difere esse exemplo do exemplo contrário: Zorra Total. Os caras tentam, tentam, chamam as mulé gostosa pra encher todo centímetro quadrado da televisão, pensam que é um negócio legal, mas todo mundo assiste e pensa ''que tosco ¬¬'', ao contrário de Chaves, que todo mundo vê o Seu Madruga tomar o 87327483 tapa seguido no dia da Dona Florinda e pensa ''HAHAHAHA, que tosco!!''
Acho que nisso consiste a diferença entre ser tosco por arte - admitir que é e ser porque quer - e ser tosco porque é tosco mesmo. Para entrar no campo musical, cito a minha banda (ou ex-banda, vai saber). Agente fazia pedestal de microfone com galão de água, cabo de vassoura e fita crepe. Agente gravou nosso ''cd'' com o gravador do windows, no meu quarto, com o próprio microfoninho do pc pendurado na maçaneta do armário sobre nós (detalhe: o armário é das casas bahia). Agente tem uma música que rima ''pizza'' com ''linguiça''. Quer mais ?
Já o Chiclete com Banana, com rimas talvez mais pobres do que essa (!!), que dá pra fazer em 1 minuto (trinta segundos se estiver com pressa de estourar sua música no Faustão) canta coisas assim:
''é hora de verão
esse baita calorão
a rapaziada requebra de emoção
lalalalarueeee, lelelelelele, paraguntis, tchoioioioioioioioi (30mins nesse trecho)
TIRA O PÉ DO CHÃÃÃÃÃÃÃÃO''
(fiz em 45 segundos... ok, talvez não seja tão fácil assim)
A diferença ? Nós não achamos que estamos abalando com nossas músicas, e fazemos com a visão final de que vai ser tosco. Já o cara do chiclete com banana, escreve achando que é legal. vê os micareteiros pulando impulsionados pelos seus nike shox 12 mola e pensa realmente que é legal! Isso só pra entrar no ramo das tosqueiras visíveis aos olhos (ou ouvíveis aos ouvidos).
Pra mim, há inúmeros jeitos mesmo de ser tosco; seja ideologicamente, seja visualmente, ou seja cotidianamente. O que faz a diferença é o jeito, ser tosco inusitado, pela arte que envolve, ou ser tosco por convenção, ou sem querer, ou seja lá de qual jeito mais for possível, minha falta do que fazer não é tanta assim pra pensar tanto nisso.
Portanto, quem quiser me ofender, não escreva nos comentários ''que post tosco'' que eu posso tomar como um elogio ;D

grato pela atenção.

Guilherme Henrique Guilherme tem mesmo os dois nomes iguais, adora essa tosqueira no nome, e está pensando seriamente que não consegue abordar nenhum assunto sério no blog.

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Punk Rock, contestação e verdades absolutas

Definição do dicionário Michaelis sobre dogma

dogma
dog.ma
sm (gr dógma) 1 Ponto ou princípio de fé definido pela Igreja. 2 Conjunto das doutrinas fundamentais do cristianismo. 3 Cada um dos pontos fundamentais de qualquer crença religiosa.
4
Fundamento ou pontos capitais de qualquer sistema ou doutrina. 5 Proposição apresentada como incontestável e indiscutível.

Definição do dicionário Michaelis sobre punk

punk
(pânc) s m+f (ingl) Pessoa rebelde e contestadora, geralmente jovem, que despreza os valores socialmente estabelecidos e adota sinais exteriores de provocação. adj m+f Diz-se desses sinais adotados por essas pessoas: Cabelo punk. P. rock, Mús: estilo de música popular do final da década de 1970, rápido, agressivo, com letras violentas, muitas vezes obscenas, que expressava revolta contra o sistema político, idéias anarquistas etc.

E aí pessoas =D
Comecei com a definição do que eu vou tratar aqui, pra não ter contradição nenhuma na hora de ler.
''mas eu ví na televisão que punk é o moicaninho david beckham do moço do simple plan e que contestação é quando ele canta gritandinho que o pai dele não comprou um celular novo pra ele.''
tá, tá. ache o que você quiser, mas só nesse texto, leve em conta o conceito de punk como o escrito no dicionário ok ? que está até que bom, por sinal.
Resolvi escrever isso não pelo que está na mídia das brigas, mas mais por causas que eu venho observando há algum tempo, que teve o estopim num diálogo que tive esses dias:

''o que você ouve ?''
''punk rock''
''gosta de ramones ?''
''não são meus preferidos...''
''aff, você é um bosta.''

É só um caso cotidiano claro, mas reflete muito a cena inteira.
Há uma unanimidade, uma verdade incontestável, que você deve gostar de certas bandas e ter certas atitudes.
Na MPB eu até entendo isso, se você fala que não gosta de Chico Buarque, você é um bosta que não entende de MPB. Mas, no Punk Rock, tendo em sua essência a contestação, não seria isso um pouco contraditório ? E, como toda verdade absoluta, vem sem que seus adeptos realmente procurem entender o que estão seguindo, o que gera uma contradição ainda maior. Pode-se reparar nas jaquetas de rebite e patches quase sempre que se encontra uma, duas coisas ao mesmo tempo: um patch escrito ''foda-se os EUA'' e logo embaixo um do Ramones com aquela Águia Careca, símbolo do tão odiado país logo acima.

É só um exemplo aleatório de uma banda, mas há muitos outros parecidos. Pego outro exemplo fácil: Misfits.
Uns belos de uns reacionários americanos, com muitos fãzinhos brasileiros revolucionários.
Só para ninguém falar ''esse moleque não sabe o que fala, eles são moh revolution'', deixo um link aqui, de um texto do Sr. Michale Graves (nem sei se é ex-membro ou membro ainda, mudam de formação com mais frequência que o SBT dá os resultados da Tele-Sena de hora em hora). Quem estiver com preguiça de ler, ou não souber inglês, trata-se de uma coluna num site chamado ''conservativepunk'' (alguém notou a contradição ? é a mesma coisa que alguém abrir um site ''emomacho.com'') em que Graves defende ferrenhamente o regime de George W. Bush, fala que o mundo inteiro tem inveja do país maravilhoso deles, entre outras pérolas.

Não estou colocando em dúvida o mérito de nenhuma das bandas citadas, só acho que antes de sair repetindo cegamente quase como se dizendo ''Heil Ramones'', deve-se ter base e não sustentar duas coisas totalmente distintas.
O Punk Rock, de longe, devia ser a última coisa a ter dogmas ou unanimidades.
Dogma é coisa de igreja, e, já diria Jello Biafra:

''Punk ain't no religious cult
punk means thinking for yourself''.

guilherme.



Terça-feira, Novembro 13, 2007

Oposição? Situação? Vá tudo pra puta que pariu !

Recebi um texto por emaiil, sensacionalista por sinal, falando de um suposto texto censurado do Jabor. E Falava mais um monte de abobrinhas sensacionalistas sobre o atual governo.

Logo que li pude perceber que o texto muito provavelmente não era de autoria do Jabor, pois mesmo discordando de algumas de suas idéias, tenho a sensibilidade de ver que ele possui ética, bom senso e inteligência suficiente para NÃO escrever aquilo (Diferente do Mainardi que possui pouco das duas primeiras pelo menos, mas isso não vem ao caso). Fora que como bom cronista que é, ele escreve muito melhor que aquilo.O que ocorre é que, após ler o email fui pesquisar sobre o tal do texto, e a conjecturada censura do Bóris Casoy também.

Quanto ao texto e a suposta demissão, eu digo apenas pra entrarem no site da CBN e vejam que tem comentário do Jabor lá, de HOJE. E mais um link de uma declaração dele sobre esses textos e tudo mais que dizem ser dele>>> http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/wma/wma_e.asp?audio=2007%2Fcolunas%2Fjabor%5F070802%2Ewma&OAS%5Fsitepage=sgr%2Fsgr%2Fradioclick%2Fradiosam%2Fcbn%2Farnaldojabor2

clica aí, e ouve.

E quanto ao Bóris, eu não sei, mas é muito provável que ela tenha sido demitido da Record não por falar mal do Lula, por que isso todo mundo faz e você não vê ninguém sendo demitido, mas sim por bater de frente com a Igreja Universal e o Bispo Edir Macedo, que por acaso é dono da Record. Ou as duas coisas juntas, vai saber. Mas eu nem sei se ele foi demitido, se saiu...sei lá. Mó mistério isso aí.

E vou deixar claro que não defendo nenhum nome, bandeira, partido, nem nada. Apenas não consigo me calar diante de tal bitolamento político.

Esse texto é coisa de "rinxinha" de partido, ou seja,é fanatismo puro, tão ridículo quanto briga de Curíntia e Parmera na Barra Funda, que por sinal deve ser reflexo dessa merda toda ae.

Se vocês querem mesmo mudar alguma coisa, abrir os olhos dos outros, primeiro abram o de vocês e esqueçam dessas baboseiras partidárias.

Corrupção e podridão na política brasileira não é coisa de PT, nem de PSDB, nem de PQP e nem de merda nenhuma, elas estão lá faz tempo, muito tempo mesmo, é que muitos só perceberam agora, ou QUISERAM perceber agora, tudo joguinho político...

CPMF mesma coisa, eu não concordo com ela, mas me revolta ver a Tucanada metendo o pau agora, sendo que se esbanjou dela quando era situação.

ah, um beijo e um abraço.


ah o tal do email era igual esse texto aqui ó > Imeiu

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

sobre o plebiscito.


olá miguxelos =DD
depois de muito tempo sem postar, continuo chato que só o cacete, e, adivinhem sobre o que eu vou postar ?
hááááá, isso mesmo, política !

queria falar sobre o (não) tão falado assim plebiscito que vai ter do dia 1º de setembro até dia 7 (e postando isso agora reparei que hoje já é dia 3 e não ví ''bulhufas'' (AIUHAIUSE) desse plebiscito)

enfim, o que está em questão nele são 4 coisas (em alguns Estados foi adicionada mais uma pergunta, de acordo com o Estado) são elas;
a anulação da privatização da vale do rio doce;
o não pagamento das dívidas interna e externa;
a não exploração da energia elétrica pelo capital privado;
e o não à reforma da previdência.

o que eu queria colocar em foco nesse post é o seguinte; o porque de as ''organizações sociais'' só divulgarem que o plebiscito é pela ''a vale é nossa'', quando há algo nele que nos afeta muito mais?
esse eu acho que é o ponto do plebiscito que menos afeta a população em geral...
ok que ela foi vendida por 3,3bi, enquanto é avaliada em 90bi, mas até aí... no máximo acho que deve se exigir que paguem o preço dela, mas não que anule o seu leilão, já que eu não vejo vantagem nenhuma como cidadão essa empresa nas mãos do estado. Só ver o exemplo da Petrobras; o que se ouve de ''o petróleo é nosso'' não é brincadeira. Mas, de que vale o petróleo ser meu, se ele é retirado todo aqui, 100% da necessidade do país, e vendido a nós a preço internacional, que é influenciado por guerras no oriente médio e outros fatores, que não afetam o ''nosso'' óleo. E não me venha com essa de ''aaah, mas o Brasil só tem no seu solo petróleo bruto, e precisa refinar, o que não dá pra fazer aqui''. Se a Petrobras tem tanto sucesso assim, tanto recorde de lucro atrás de lucro, PORQUE não investe em refinarias aqui e não vende ao consumidor final um preço menor ? dinheiro vindo do nada pra usina de açucar e latifundio monocultor de cana de açucar tem, pra refinaria não ? não quero entrar no assunto Petrobras, porque isso daria um outro post inteiro, então, voltemos ao plebiscito.
será que os ''movimentos sociais'' querem tanto a vale para ''nós'' pq seriam seus líderes que ocupariam os cargos de cabide de emprego dados a dar com pau por transações partidárias ?
o que melhora na minha vida com a Vale do Rio Doce passando para as mãos do Estado ?

enfim, perguntas que não saem da minha cabeça, quando no mesmo plebiscito há uma questão que diz muito mais, e diretamente a toda a população; o não à reforma da previdência.
aos iludidos, não pensem que a palavra ''reforma'' é uma coisa boa.
comparando com pedreiragem, não seria uma reforma para deixar a casa maior e mais confortável, seria um puxadinho no quarto de trás para alugar e ver se sai do buraco, sendo o objeto do aluguel os direitos do trabalhador e trabalhadora que serviram fielmente ao sistema de servir horas a fio por grande parte da vida à um patrão, confiando uma parte de sua remuneração ao INSS, pensando que garantiria um retiro tranquilo quando chegasse a hora de parar de trabalhar.
Mas não, o governo teoricamente ''dos trabalhadores'' já fez uma parte dessa reforma, aumentando a idade e tempo de contribuição p/ a aposentadoria
(mais informações aqui: http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2003/08/260254.shtml)
e agora tenta aprofundar mais esse absurdo, totalmente apoiado pela mídia e todos os setores do patronato.
enfim, se alguém vir alguma urna do tal plebiscito, vote o que quiser sobre a vale, vote o que quiser sobre os outros, mas, PELAMORDEDEUS, vote CONTRA a reforma da previdência!
eu quero me aposentar de preferência ainda com vida!

*Obs posterior: Esse texto é antigo, e hoje eu não penso mais assim. Mas deixo só pra constar para mim mesmo como meu pensamento vai mudando. hahaha

Domingo, Abril 22, 2007

Manipulação ! (?)



Ontem assistimos um filme lá no colégio, muito bom por sinal, chamado: "Quanto vale ou é por quilo?".Que procura mostrar a atuação das chamadas ONGs, e também mostra semelhanças entre o Brasil de hoje e o Brasil colonial. Mas não é bem disso que eu vou falar.

Depois do filme nós fizemos um breve debate sobre a sociedade em geral, e caímos no assunto: Manipulação.

E depois de tudo passado eu fiquei intrigado com um questionamento que não saía da minha cabeça. Até que ponto somos manipulados?

O que eu quero dizer é, até que ponto manipulamos, somos manipulados ou deixamos de manipular. Se eu leio um jornal de esquerda, ou um de direita não serei manipulado por qualquer um dos dois? Ou melhor, eu leio os dois, de uma forma ou de outra eu vou me simpatizar mais com um do que com o outro, então eu estaria sendo influenciado por alguem de qualquer forma. Você lendo esse texto, pode estar sendo manipulado?

O que é manipulação? é o que eu custo a entender, não vejo maneiras de não ser manipulado, só me isolando da sociedade e etc. Mas maneiras práticas eu não vejo nenhuma.

Não tem saída, somos manipulados por tudo. Primeiramente pelos nossos pais, os primeiros grandes absolutistas "manipuladores" da massa, que no caso são os filhos, forma meio fria de ver os pais, é claro que eu amo os meus, mas sendo racional ao extremo. Você desde pequeno sendo manipulado, obrigado a ir a igreja, fazer primeira comunhão, rezar antes de comer, assistir o Jornal Nacional e o Fantástico aos domingos, sem falar nas emocionantes novelas, mas isso não vem ao caso. Você cresce já sendo manipulado.

Já adulto você vai pra faculdade começa a ter aulas com aquele professor de direita extremista, ou com aquele libertário marxista, e continua a ser manipulado.

No auge da sua intelectualidade, você lê muitos livros, de diversos filósofos, poetas e etc. E o que acontece? Manipulado de novo.

E finalmente, velhinho, aposentado, sem muita coisa pra fazer, você volta pro Jornal que você via na infância, e passa toda vida sendo influenciado.

No fim, já nos ultimos instantes de vida, você descobre que enquanto existir valores, a consciência, o certo e o errado, o bem e o mal e todos os grandes contrastes, todas as diferenças ideológicas, todas essas doutrinas. Não escaparemos da tão temida manipulação.






ps: Não foi revisado por que até eu estou com preguiça de ler isso.


Domingo, Março 04, 2007

O que é você?


Bom Dia , Boa Tarde ou Boa Noite. =]


MAS QUE MUNDO TOSCO !!!

Como só tem gente tosca no mundo, eu não canso de observar em volta e ver pessoas que justificam o estado da sociedade atual.

Você olha em volta e vê todo tipo de merda sendo feita, merda da grande, merdinha aquelas da pequena. Enquanto os marotões lá invadem uns países por aí, outros grupinhos de jovens descolados brigam na matinê.


Há algum tempo, eu era um cara esperançoso que achava que ia escrever um livro, mudar o mundo numa grande revolução e ser o novo Che Guevara. Mas PORRA, você vai vendo o andar das coisas, vai pensando no passado e vê que tudo uma hora volta pro mesmo lugar, e que a única coisa que mudaria o mundo pra algo de melhor seria a extinção do ser humano sobre a face da terra.

Me envergonho cada dia mais de pertencer a essa sociedade, mas por outro lado, o que é pior? Saber que tudo vai da sempre na mesma merda e não fazer nada pra tentar mudar, sentar e observar até onde o homem pode chegar. Ou ainda saber que tudo vai pra merda mas mesmo assim tentar fazer algo, nem que seja pelo menos pra "deixar a consciência mais leve", que é o que as maiorias das pessoas fazem, vão lá doar meia dúzia de cestas básicas e já se sentem bem consigo mesmo, se achando "OS" que vão deixar o mundo menos miserável, mas no fundo sabem que na prática não resolveram o problema.

O bem maior que cada um faria a sociedade seria se matar, se mata amigo, se todo mundo se matar e extinguir a raça humana da terra o mundo será muito mais harmonioso.

Ninguém mais ia invadir uns países por aí, nem jovens descolados iam brigar na matinê e olhe quão bom seria o mundo sem nós.






Obs. Nem revisei pra variar. =]

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Quem é o terrorista ?


''Israel começou a bombardear o Líbano depois que guerrilheiros do Hizbollah sequestraram dois soldados e mataram oito numa operação no dia 12 de julho. Quase 1.200 pessoas morreram no Líbano, a maioria civis, além de 157 israelenses, na maior parte soldados''
Bom, pra começar, eu mando essa notícia aí em cima. 1200 pessoas morreram no Líbano, desses 157 israelenses... Até eu, que zerei matemática no simulado do ENEM faço essa conta. Isso significa que das 1200 pessoas que morreram na guerra, 1043 são libaneses, e em sua maioria civis! Se eu não me engano, não consta aí na notícia, mas desse tanto de libaneses que morreram, 900 são civis... Mas espera aí, matança deliberada de pessoas inocentes por uma causa qualquer que seja, não é denominada de terrorismo ?
O Hezbollah não é nenhum santo, mas visou os soldados israelenses nos seus ataques, tanto que a maioria morta pelo grupo foram soldados, que NÃO são pessoas inocentes, porque são eles que lançam bomba na população civil do líbano.
O foda é aguentar aquele William Bonner com aquele topetinho branco que parece a pantufa da vó do arthur (segundo o próprio :D) falando que Israel, em defesa do seu povo e na luta humanista contra o terrorismo, matou 47 pessoas no Líbano, maioria crianças... e como eles são muito bonzinhos e simpáticos, eles pediram desculpas!
Aaaaaah sim! imagina que falta de educação ? matar umas 30 crianças tudo bem, mas tem que pedir desculpas! hahahahaha. essa mídia tendenciosa é FODA!
Enfim, é isso, fica a pergunta no ar.... quem é o verdadeiro terrorista ?

;**

ps: não tenho preconceito NENHUM contra judeus, o texto aqui é contra o ESTADO de Israel, ok ?

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

Eleições 2006. Mas que maravilha!!


Oh. Mas as ruas desse país viraram um inferno trutá, vou ser bem breve se liga...

Hoje estou eu alegre e saltitante passeando pelas ruas, quando começo a me deparar com a desgraça que essas eleições trazem para nós.
Primeiro a sujeira descomunal que se propaga pelas ruas e dependências públicas, além da poluição por panfletos e etc, tem ainda a poluição audio-visual que além de presenciar no horário nobre da TV aberta brasileira, fora os comerciais um atrás do outro, nos deparamos com carros na rua, com músicas extremamente toscas; desde um funk, até um bailão, nas criativas campanhas dos trutás políticos.

Mais triste é ver seus amigos fazendo campanha, balançando bandeiras, de um cara que as vezes nem conhecer, conhecem. Mais triste ainda é saber, que eles só lembram de nós, o povo, quando eles precisam de nossos votos, e que depois de toda putaria de eleição, nem pra limpar a sujeira feita por eles mesmos, eles voltam.

Amigo leitor, geralmente meus posts tem uma bela pitada de humor e tudo mais, mas hoje não dá, a vergonha que eu sinto do meu país, do sistema eleitoral e tudo mais, é maior.

Ainda mais quando eu lembro dos hospitais que da noite pro dia, nas épocas de eleição, ficam uma maravilha, e que depois tudo aquilo é esquecido e voltam a ser as mesmas bostas que sempre foram.

Que o estado só "trabalha" em época de eleição, que depois que tudo isso passa, você nem ouve mais falar naquele cara que te deu um pacote de absorventes.

Infelizmente é só essa a realidade que eu vejo da política eleitoral brasileira, até 2008 trutás. ;D