
Bom, a idéia inicial era escrever de lá todo dia, tipo ''querido diário'' do Doug Funny, mas não deu certo, então vou fazer um resumão da viagem. Como lá pela primeira série a professora me disse que eu não precisava decorar datas, eu não vou colocá-las aqui, só as que eu lembre com certeza.
Dia 25 de Janeiro, sexta-feira, vamos ao aeroporto de Guarulhos (parecia caravana de Ribeirão Pires po pograma da Gimenez, acho que nunca tantas pessoas de Ribeirão foram pro aeroporto ao mesmo tempo, hahahahaha). No caminho, aquele contraste típico brasileiro (será?): estrada-carrões-favela. No aeroporto, feito tudo o que tinha que fazer (não vi caos aéreo) fomos ao portão de embarque internacional; que, analisando bem, é igualzinho à estação do Brás, com a diferença que no Brás tem TVs de Plasma pra assistir enquanto espera o trem.
Quando deu a hora, fomos pegar um busão até o avião. Chego na porta pronto pra lançar um ‘’Boa Noite’’, quando a mulher me lança um ''Buenas Noches''. Compania espanhola, tripulação espanhola, não tinha pensado nisso. Se eu tivesse um filho no avião, ele seria espanhol, ó que legal.
O avião decolou, aquela alegria toda e tal, deu uma turbulenciazinha, nada demais, mas também dispensei a EuroDisney, já tive emoção suficiente. A classe era econômica, a cadeira deitava menos que a do ônibus que eu fui pra Pousada do Rio Quente. Mas lasque-se! Eu estava indo pra Europa, vou reclamar do que ?!
Chegamos no aeroporto Barajas, em Madrid, para fazer conexão, e foi o primeiro lugar nessa viagem que eu pensei ser o maior lugar que eu já fui. Precisava de metrô pra andar lá dentro! Fazia um tempinho agradável de zero grau. Depois de agüentar a enrolação, fomos lá pro avião. Várias jovenzinhas descoladas indo pra Amsterdam; umas espanholas, outras que eu não consegui identificar. Umas duas horas de vôo, começa a dar pra ver lá embaixo aqueles pirocópteros gigantes que geram energia eólica, que infelizmente eu esqueci o nome, além de dar a impressão de ter muita indústria, porque sai fumaça de tudo quanto é lado.
No aeroporto Schipol em Amsterdam, já o primeiro bar tem a fachada toda verde, o que eu achei bem sugestivo naquela terra. Fomos comprar o bilhete do trem, que não precisa passar em catraca nenhuma, compra quem quer. Diz a lenda que podem passar fiscais no trem pedindo o bilhete, mas não vi. Muitos já devem ter pensado ''aaaaaah se fosse no Brasil, ninguém ia comprar''. Na boa mesmo ? transporte PÚBLICO tem que ser de graça! Daqui a pouco vão querer cobrar da saúde e educação públicas, e nego ainda vai criticar quem tenta não pagar...
O trem é meio grafitado, com os vidros meio riscados, tipo aqui, com a diferença do trem daqui ter 15 pessoas por metro quadrado, e lá o espaço sobra.
Deixadas todas as coisas no hotel, fomos andar por Amsterdam. O que descreve essa cidade é uma única palavra: FODA! Eu não costumo usar palavrões aqui, mas dessa vez é a única palavra, e essa cidade tem que ser descrita com alguma coisa indecente mesmo. Amsterdam é foda, e pra caralho ainda. Os famosos coffeeshops onde a maconha é liberada, que quando abre a porta daquilo parece uma sauna, os sex-shops, sem escrúpulo hipócrita nenhum, com os cartazes bizarros sendo mostrados na rua, os ''Trams'' uns trenzinhos meio loucos que passam do nada no meio da rua, fazendo pessoas distraídas como eu correrem risco de vida várias vezes, os canais, que têm até Cisnes, as Européias de tudo quanto é lado, o Red-Light District, onde as prostitutas, tanto umas lindíssimas como umas parecendo uns butijõezinhos da Liquigás, ficam ''a mostra'' na vitrine, e os holandeses (ou imigrantes) muito simpáticos. Como a Pitty muito bem disse, a cidade é completamente Dadaísta. O sistema implantado de luta contra as drogas em Amsterdam é totalmente diferente do estadounidense, importado pelo Rio de Janeiro, Colômbia, México e etc, que usa o pretexto de luta contra as drogas para o massacre dos excluídos pelo capitalismo, seja nas favelas cariocas, nas selvas colombianas, ou nas áreas indígenas mexicanas. Em Amsterdam, as drogas leves são liberadas, porém as pesadas são fortemente desencorajadas. Numa noite na televisão do hotel passou um documentário sobre usuários de heroína que acabou com todas as chances que eu já não tinha de usar heroína alguma vez na vida.
Acabaram-se os dias em Amsterdam, vamos a Paris de trem. Paris também, agora avacalhando totalmente com o vocabulário bonitinho do blog, é foda. Não tão indecentemente foda como Amsterdam, mas é foda. Louvre, (o segundo lugar dessa viagem que eu pensei ser o maior lugar que eu já entrei) Torre Eiffel, Notredame, restaurantezinhos undergrounds, artistas de rua, rio Senna e etc. Porém, a globalização capitalista é mais sentida lá do que na holanda; Mcdonald’s, Starbucks Coffee, e KFC’s em cada avenida, além das lojas das marcas de filo da puta na Champs Elysées. Mas isso não incomoda; vai nesses lugares que se pode ir em qualquer lugar do mundo quem quer; dá muito bem para fazer outras coisas lá. E sabe aquele papo de ''ah, na França, se você coloca o pé na rua, os carros já param para você passar'' ? mentira! Nesse quesito, é capaz de ser pior que aqui, já que lá os carros passam mesmo com o sinal aberto para pedestre. Não sei se podem por lei ou não, mas fazem direto.
Aqui, como na Holanda, há muito imigrantes, quem vai pensando que só tem comida chique se engana muito, porque tem um churrasco grego em cada esquina. Há também muitos negros das ex-colônias vendendo souvenirs da Torre Eiffel sob a própria, e os que trabalham nos hotéis, e falam todas as línguas possíveis!
Por fim, pode-se dizer que o primeiro mundo é um outro mundo sim. Mas no sentido da arquitetura do velho continente, dos monumentos, as línguas e (um pouco) a cultura. Já no sentido social, utilizam o mesmo sistema que nós, a lógica do lucro, do acúmulo de quem pode acumular. Em Amsterdam se vê várias pixações contra o capitalismo, em Paris, são as matérias dos jornais, que, pelo que eu pude entender, não elogiam muito esse sistema. No trem da Holanda para a França passaram umas ''casinhas'' que, se não era uma favela, era um lugar BEM humilde. Na França, há vários pedintes na rua, com a diferença que lá tomam vinho francês, os daqui, cachaça. Ambos seriam chiques olhando um para o outro, já que lá a cachaça é cara e o vinho é barato, aqui é o contrário. Enfim, é aquela mesma história; pessoas sem nada pedindo aos outros, enquanto logo ao seu lado passam carros de luxo e estão prédios de corporações; guardadas as devidas proporções, o mesmo problema enfrentado por nós: distribuição de renda. Não importa o quão grande seja o PIB, o aumento da produtividade das empresas ou o recorde do lucro dos bancos. No capitalismo, seja no primeiro ou no terceiro mundo, é assim. Ou alguém ainda acredita nesse papo de distribuição de renda no acúmulo de capital ?
Fotos:
Pixação contra o capitalismo, Amsterdam
Muro Amsterdam
Trem, Paris
Torre Eiffel
guilherme.